Aula 04


Reprodução social: uma realidade 


A primeira aula de sociologia após a greve foi marcada por muitos assuntos pesados que estão presentes na vida de todas as pessoas. Educação deveria ser uma forma de que o ser humano conseguisse ascender e melhorar sua vida, a educação deveria ser capaz de transcender o homem e o engrandecer. De fato, isso é capaz de acontecer, mas não com a maioria da população, o que é mais injusto e aumenta a desigualdade.

A entrevista com o atual ministro da educação, realizada no decorrer desde ano, teve como protagonista a seguinte frase “Precisamos escolher melhor nossas prioridades porque nossos recursos são escassos. Não sou contra estudar filosofia, gosto de estudar filosofia. Mas imagina uma família de agricultores que o filho entrou na faculdade e, quatro anos depois, volta com título de antropólogo? Acho que ele traria mais bem-estar para ele e para a comunidade se fosse veterinário, dentista, professor, médico. O Japão direcionou recursos públicos para coisas mais objetivas e materiais.” É revoltante ver que a pessoa que esta no alto cargo da educação pensa dessa maneira. Como já colocado pelo professor Erick, o Brasil forma anualmente menos de 100 antropólogos, uma  diferença enorme entre a quantidade de “médicos, professores, veterinários e dentistas”  que são formados anualmente, sejam pelas universidades federais/ estaduais quanto pelas particulares. Categorizar profissões em níveis de importância é simplesmente jogar fora o real valor de cada profissional em um cenário nacional e mundial. Antropólogos, filósofos, sociólogos e todas as pessoas que escolheram uma carreira na área das ciências humanas são cientistas treinados e preparados para tentar entender a sociedade e todas as coisa que implicam a vida humana, desprezar algo assim, ou um sonho de trabalhar nessa área é ter uma visão muito tecnicista do mundo.

O Japão é um pais modelo que o Brasil poderia seguir, isso se os governantes brasileiros não se preocupasse somente com o imediatismo. Ao investir na educação de base o pais oriental foi capaz de com o tempo desenvolver um sistema educacional e estudantes interessados nas diversas áreas do saber. O sistema educacional brasileiro atual somente se preocupa em formar alunos com expectativas baixas e que sigam suas vidas sem sonhos grandes, pois desde de pequenos são ensinados dessa maneira. A reprodução social é algo muito marcante para as pessoas, principalmente no contexto regional que nós encontramos,  vemos todos os anos o que ocorre quando os alunos no final do ensino médio tem que escolher suas profissões. Cerca de 80% dos cursos de licenciatura são ocupados por pessoas que tem uma renda baixa, enquanto os cursos mais concorridos são ocupados por alunos que tem renda alta, um exemplo gritante é o curso de medicina.


Um filho de médicos tem uma propensão a seguir a profissão dos pais, por mais que não seja seu trabalho dos sonhos, ele sabe o que vai conseguir com isso, o dinheiro, prestigio, sucesso e ascensão profissional. Enquanto um aluno que não tem os pais com sequer uma graduação, estudou durante a sua vida em uma escola publica e tem sérios problemas para sequer estudar, não tem sonhos tão grandes assim e quando tem, sabe a sua realidade e tem que escolher entre estudar e comer. Situações que contribuem diretamente para a desigualdade social, o sistema educacional não é igualitário para todos, então como o MINISTRO DA EDUCAÇÃO é capaz de falar que um filho de um pequeno agricultor seria mais útil sendo um medico, veterinário ou dentista? Quando ,na maior parte das vezes, esse filho sequer é estimulado a entrar na escola e ter uma graduação? Dificilmente esse estudante ira escolher um curso como antropologia e filosofia, pois é algo muito irreal para o contexto social dele.


O Brasil é um pais com uma desigualdade enorme e, infelizmente, crescente. As faltas de políticas publicas de inclusão são uma demonstração desse fato, desde da primeira infância as crianças não tem um lugar próprio para se desenvolver se tiverem nascido em uma família pobre, pois não existem vagas e lugares o suficiente para a demanda populacional.
Dito isso, eu consigo entender porque  aula foi muito triste e pesada, falar sobre assuntos tão presentes na nossa vida fazem com que seja perceptível o quanto uma pessoa é privilegiada e outra não. Educação, acredito eu, é a base para a mudança do mundo e da célula social, pode parecer muito sonhador, mas é minha visão. Nós, jovens temos mais oportunidades que nossos pais, e assim ira seguir as gerações após a nossa, e isso me faz acreditar na mudança. No entanto, acreditar que somente a educação vá fazer isso é viver em uma fantasia, é necessário uma mudança conjunta para a melhoria do Brasil. As historias contadas na sala de aula no dia me fizeram perceber isso, como alguém vai estudar se não tem o que comer? Não tem condições de ir ao medico? Educação não é um privilegio, e por isso temos que lutar para que ela seja preservada e melhorada todo o tempo.

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