Aula 02
PISA, OCED e diferentes
sistemas educacionais e formações podem mudar a vida de uma criança?
O PISA, como já explicado antes é um indicador de desempenho dos
alunos em diferentes países, muitos dos componentes da lista de participantes
do Pisa são países ricos e desenvolvidos que indiretamente, participam da OCDE. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, composto de aproximadamente 36 países que são
fundamentados nos princípios democráticos, fornece uma plataforma para comparar
e entender as políticas entorno da economia do mercado, um fato interessante é
que os primeiros países a serem da OCDE eram todos da Europa, e faz muito
sentindo sendo que foi criado nem 1961, quando as outras potencias não eram
consolidadas. Atualmente, majoritariamente os países que fazem parte tem um elevadíssimo
PIB (produto interno bruto) per capta e tem um IDH (índice de desenvolvimento
humano) no mesmo nível, considerados assim patrimônios muito desenvolvidos.
O Brasil nesse contexto educacional -e econômico-
se encontra em déficit com a população, mesmo que nos últimos anos tenha sido
apoiado pelos Estados Unidos para adentrar no OCDE, ainda é algo muito utópico,
visto que, existem muitos critérios rigorosos para que isso ocorra e o país não
esta cumprindo isso a risca e não existe somente o USA para decidir a adesão de
novos membros.
Muitos exames aplicados aos alunos de escola pública
que tentam medir o conhecimento e desenvolvimento de alunos brasileiros se
tornam falhos da forma que se é dado o resultado e o que se fazem com ele, um
exemplo de como é visto anualmente isso é o ENEM (exame nacional do ensino médio)
quando o inep divulga as médias dos alunos, muitas mídias jornalísticas fazem
quadros comparativos injustos, que colocam os colégios particulares como melhores
por terem mais alunos aprovados em cursos com mais prestigio social e assim
fazem um tipo de ranking de escolas boas, criando também propaganda para essas
instituições. Contudo isso é completamente errado e falho de inúmeras maneiras.
O Enem só consegue “medir” as notas dos alunos,
ou seja, a prova julga o conhecimento adquirido do aluno, não foi feito para
medir qual colégio é melhor e ainda sim, não é um exame inclusivo. O porquê é
bem simples, nunca um estudante de colégio publico terá todo o amparo que um de
colégio particular, é simplesmente muito difícil que um estudante de uma rede
municipal ou estadual, tenha mecanismos e materiais que um de escola
particular. Não existe material, não existe recursos humanos, não existe ajuda
para que esse aluno seja direcionado a uma carreira acadêmica, por isso é
completamente errôneo.
Comparar alunos brasileiros entre si já é um
grande problema, agora alunos estrangeiros com nossos estudantes fica
completamente algo surreal. É excluído muito do contexto geral, não é certo,
simples assim. Como é que uma conta não leva em questão as diversas variáveis ambientais
e ocupacionais? Eles usam somente as notas para compreender os sistemas
educacionais e a sua funcionabilidade no território que as provas são aplicadas,
por conseguinte, não olham amplamente a educação do pais, e sim de forma mais
vertical. Por exemplo, é evidente que pais escolarizados conseguem transmitir a
seus filhos educação superior a um que não tem, e isso é uma realidade
brasileira tremenda, pois existem níveis altos e alarmantes de analfabetismo entre
a população e ainda tem o analfabetismo funcional, ou seja, um pai pode ter uma
educação básica e saber ler e escrever, mas a formação dele por ser limitada se
baseou somente nisso, um filho de uma pessoa analfabeta nunca vera a educação
como forma de ascensão, e sim como um empecilho para “trabalhar realmente”. Claro
que esses aspectos estão correlacionados diretamente, e afetam no interesse da
criança na escola, e é somente uma das variáveis que levam a baixa nota no PISA
todos os anos, é nítido que existe uma melhora gradativa e muito lenta na nota
dos estudantes brasileiros, em alguns anos ocorrem ate um regresso em algumas áreas
do saber, e isso ocorre também pelo investimento que o governo disponibiliza e
como ele é aplicado nos estudantes.
É um fato que se gasta com universitários
uma quantia absurda mensalmente em lugares desenvolvidos, como Canadá e estados
unidos, mas no Brasil também se gasta uma quantia similar, o porquê é muito
simples, não se investe o suficiente nas series iniciais da creche ao
fundamental II e se supõe que investindo nos universitários é uma forma de
suprir toda essa necessidade, entretanto, esse pensamento leva novamente a exclusão
social e educacional. Se um estudante de uma rede municipal e estadual não tem
a base e preparo necessário para ingressar em uma faculdade publica, quem ocupa
o lugar dele? Uma vaga que deveria ser dele, pois se o estado é responsável por
lei de cuidar da educação e prover uma educação de qualidade, deveria ser fácil
para esse estudante entrar na universidade, mas isso não ocorre na realidade e
essa vaga vai justamente para um estudante de colégio particular que durante
sua vida acadêmica teve um amparo maior da instituição que estava. Em todos os
lugares do mundo alunos com níveis escolares mais altos são mais ricos.
A diferença regional também é
gigantesca tal como a de gênero. Meninas se saem melhor em leitura, e meninos
em ciências, e os dois se saem mal em matemática porem a nota das meninas ainda
são piores. É necessário que as crianças e adolescentes tenham em casa modelos acadêmicos
para que possam associar sucesso a escola, incentivando a permanência para
essas crianças, mas é muito complicado quando a maioria dos alunos que vão para
a escola saem com 16/17 anos e não voltam mais, crianças tem que notar que
escolaridade é sucesso, contudo essa problemática é muito mais complexa quando
olhada nesse aspecto, pois não existem modelos acadêmicos de sucesso para
crianças periféricas no mesmo nível que existem para as crianças que tem poder
aquisitivo maior, então essas crianças necessitadas se inspiram em ídolos como
jogadores de futebol e atrizes,achando que a escola é somente uma perca de
tempo para conseguir o sucesso dos salários milionários que essas profissões
podem lhe dar. A educação continua sendo sucateada e as crianças continuam sem
amparo para lidar com a realidade.
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